quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Beijinho indiano de colher


 
Dança clássica indiana Odissi
http://www.flickr.com/photos/31555277@N06/4213474252/in/set-72157615402580575/


Ter ou não ter namorado
Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d’água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Enlou-cresça.

Beijinho indiano

1 lata de leite condensado
1 col. (sopa) manteiga
2 col. (sopa) coco ralado s/ açúcar
1 col. (chá) cardamomo

Derreta a manteiga numa panela e logo acrescente o leite condensado. Misture bem e acrescente o coco.  Depois o cardamomo. Não pare de mexer nenhum segundo para não queimar e use uma colher de pau reservada só p/ doces. Logo que começar a ferver (borbulhar), desligue o fogo. Pois não se deve chegar ao ponto de brigadeiro. 

Bon appétit!


 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Macarrão ao alho e óleo com rúcula e tomate



Para quem está com aquela pressa na cozinha...


250g macarrão
1 maço de rúcula
1 tomate picado
2 castanhas do pará ralada
2 dentes de alho amassados
1/4 xícara (chá) azeite
1/2 xícara (chá) azeitona picada
sal e 4 pimentas a gosto


Cozinhe o macarrão. 
Em outra panela, frite o alho no azeite. Assim que dourar, retire-o com uma escumadeira e reserve. No mesmo azeite refogue os tomates por 2 min. Adicione a rúcula, misture rapidamente e desligue o fogo.  Tempre com sal e pimenta a gosto. Junte o alho, a castanha e as azeitonas. Junte o macarrão, misture bem e sirva com parmesão ralado na hora.


Bon appétit!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Novo Ano

Reflexão para o novo ano...


31 de dezembro e todos combinam uma festa linda, pular as 7 ondinhas na praia, comer 7 coisas (uva, lentilha, romã... já ouvi várias), fogos a dois, etc. A última semana do ano é realmente mágica, pois desde o Natal nós lembramos que outros existem e ficamos felizes com isso (até abraçamos e desejamos felicidade à quem não conhecemos). Solitários ou em companhia, há sempre um congestionamento de pedidos e promessas no campo mental que sempre vem a tona nessa época. É realmente muito interessante essa última semana, recordamos que existimos e que os outros existem!

Mas... a pergunta é: alguém se lembra que o ano novo, o fim do período de 365 dias (ou 366),  e o início de outro período, comemorado no dia 31 de dezembro e 01 de janeiro é o ano da Terra? Nos colocando nessa situação: é o novo ano da coletividade?

O ano novo individual é na data do aniversário. Você conclui mais um período de 365 (366) dias para dar início a outro.  

Eu fico me perguntando ao ver aquela cena divertida de pessoas pulando as ondinhas  à meia noite do dia 31 de dezembro, se elas colocam na balança o que elas fizeram p/ a coletividade e o que elas pretendem fazer a partir do outro dia (o novo ano). Fico me perguntando como me colocar no meio de tudo, qual minha responsabilidade e como minha parte está sendo feita., como será... e fico imaginando aquela coletividade pulando ondinhas e fazendo a mesma coisa (ou algo parecido mas com o mesmo propósito), imaginando cada um fazendo...

Depois de perder calorias na praia (do nosso país abençoado) eu sugiro ver um vídeo que ,de maneira divertida, explica a história das coisas que confundimos com o essencial da vida.


FELIZ NOVO ANO A TODOS NÓS!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Chuchu ao alho e erva-doce



Ô época difícil de parar na cozinha. Esta receita minha mãe pediu após prová-la num restaurante em São Paulo. Experimentamos em casa e ficou delicioso!

Não anotei as quantidades e, contrariando Richard Wurman, nesta receita digo para fazer ao seu gosto e com o que tiver =D

alho amassado
chuchu cozido e cortado em pequenos pedaços
sal 
erva-doce
manteiga
azeite


Frite o alho na manteiga com um pouco de azeite. Quando dourar, acrescente a erva-doce, misture rapidamente e adicione o chuchu. Tempere com sal e misture bem, refogue levemente  e pronto.


Bon appétit!

 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Gratin de poireaux au vin blanc sec



No dia 12 de dezembro, na Aliança Francesa aqui de João Pessoa, ocorreu a Fête de la Gastronomie. Entre as atividades culturais da Aliança, essa é a mais gostosa!
Cada professor escolhe uma região da França para representar e cada turma deve fazer pratos típicos da região. Comida é o que não falta e a festa é aberta ao público. 
Vale a pena conferir a festa na sua cidade, pois é uma ótima oportunidade de conhecer novas artes culinárias! Sem contar que é divertidíssima!



A nossa região foi Franche-Comte, famosa por seus fromages (queijos). Apesar da dificuldade de seguir a receita à risca (não foi possível) creio que quase chegamos lá...
http://br.franceguide.com/destinos/franca/regions/franco-condado/home.html?NodeID=154


Os pratos foram: Gratin poireaux au vin blan sec (gratinado de alho-poró ao vinho branco seco) e Gâteau de ménage (um tipo de torta-doce c/ creme). 





E apesar de não termos ganhado nem o 1º e nem o 2º lugar, saber que estavamos bem a frente no voto popular foi magnifique!!! =D


Gratin poireaux au vin blanc sec


12 Alho-poró* fatiado nem grosso nem fino (deixe-os na espessura de um 1 cm, mais ou menos)

100g de manteiga
75 g de farinha de trigo (substituído por 60g de farinha de quinua)

200 ml de leite
500 ml de vinho branco seco
120g de queijo comte (substituído por gruyere)
sal
pimenta do reino branca
noz moscada (substituído por castanha de caju ralada)


Nume panela, ferva água com sal e o alho por 20 minutos. 
Enquanto isso, prepare o molho bechamel. Em outra panela, misture a manteiga e a farinha em fogo baixo até virar um creme. Adicione o leite aos poucos, mexendo sempre e depois o vinho (aos poucos e mexendo sempre), misture bem para evitar os grunhos, deve ficar homogenea. 
Cozinhe até engrossar. Tempere com sal, pimenta e, caso usar a noz moscada, rale-a um pouco e misture. Desligue o fogo e acrescente o queijo já ralado. 
Pré-aqueça o forno a 200ºC. 
Escorra o alho-poró e coloque-os em uma assadeira. Espalhe o bechamel (fizemos 2 camadas: alho, molho, alho, molho) e leve ao forno por aproximadamente 20 minutos. 
Retire do forno e espalhe o castanha ralada para decorar. 


*Disseram-nos que na França o alho-poró é bem maior do que os que encontramos aqui. Então compramos 4 daquelas bandejas fechadas vendidas no pão de açúcar. Acabamos não guardando a embalagem p/ anotar a quantidade, mas acredito que cada bandeja tinha umas 200g. E não conseguimos mais pela dificuldade de encontrar esse tipo de alimento aqui... =(


Bon appétit!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Risoto de tomate seco e manjericão



O arroz nosso de cada dia nos dai hoje... um sabor supremo!


1 xíc. de arroz arboreo 
1 cebola picadinha
1 litro de água
2 cubos de caldo de legumes
200g tomate seco 
75ml vinho branco seco
1 col. (sopa) manjericão fresco
50g queijo parmesão ralado
1 col. (sobremesa) manteiga


Lave bem o arroz. Frite a cebola no azeite com manteiga. Dissolva o caldo de legumes em água fervente (em outra panela). Quando a cebola começar a dourar, junte o arroz e misture bem até o arroz ficar completamente envolvido. Adicione o vinho e siga o mesmo procedimento. 
Coloque metade da água com caldo, misture bem e deixe cozinhar, Quando começar a secar, adicione o restante da água, misture e se precisar de sal, coloque agora. Adicione o tomate seco. Nexa de vez em quando até cozinhar o arroz. Não deixe secar completamente. Restando um pouco de caldo, desligue e fogo e adicione o queijo. 
Misture bem, espalhe o manjericão e sirva!


Bon appétit!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Bolinhos de chocolate com cardamomo



1 xíc (chá) chocolate em pó
2 xíc (chá) açúcar
3 xíc (chá) farinha de trigo
1 xíc (chá) leite
3/4 xíc (chá) óleo
1 col (sopa) fermento em pó
2 ovos
1 col (chá) rasa de cardamomo

Misture todos os ingredientes secos numa tigela e os líquidos em outra, Junte o líquido aos poucos e misture com uma colher de pau até obter uma massa homogênea. Despeje a massa em forminhas e leve ao forno pré-aquecido. Faça o teste do palito p/ verificar se está pronto.

Bon appétit!